quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sobre o respeito em sala de aula.

Ontem vivenciei uma situação corriqueira em sala de aula. O professor se mostrou descontente com falta de atenção com relação ao que era dito por ele. O motivo disso? Um simples notebook aberto, dentro da sala, enquanto ele explicava a matéria. Na hora a situação transcorreu normalmente sem maiores constrangimentos a parte alguma, uma vez que a atenção foi chamada de forma educada.

Ao chegar em casa e ligar o meu computar, vejo que está acontecendo o maior debate entre os alunos da minha turma.Um dos alunos se sentiu ofendido pelo que o professor falou. A justificativa? Segundo ele, que mora longe, que assiste 12 horas de aulas por dia (devido a problemas administrativos do ensino público) e mais alguns fatores que, de fato, nos desanimam a assistir aulas, ficar calado em sala de aula é ajudar o professor. Não entendi bem essa parte. No meu mundo, ficar calado em sala de aula é o mínimo que o aluno deve fazer ao assistir uma aula. Não sei bem ao certo onde foi que as coisas mudaram, mas desde quando ficar em silêncio em sala é um favor que fazemos ao professor? Fazer silêncio é simplesmente demonstrar respeito. E não só para com o professor. É demonstrar respeito para com aqueles que estão ali dentro da sala com intuito de assistir a aula.

Outro fator que entrou na discussão, depois, quando os outros alunos se mostraram favoráveis à essa primeira posição, foi de que é difícil ficar calado na aula do referido professor porque a aula, ou melhor, a didática dele é ruim. Nesse sentido, como a aula não prende a atenção dos alunos, a tendencia é a de que eles se distraiam e comecem a conversar sobre outros assuntos. Até aí tudo bem. Concordo que a aula poderia ser mais dinâmica, no entanto, o fato de que alguém não consiga se atentar ao que está sendo dito não implica necessariamente em conversar, e, se assim for, até hoje não vi o professor entrar na sala e trancar a porta. Ou seja, todos são livres para sair a hora que quiserem e voltarem quando quiserem. O próprio professor já disse isso com todas as letras. Eu mesmo já saí da sala e fiquei bons minutos jogando conversa fora com meus colegas quando me senti cansado, ou quando vi que não conseguiria ficar assistindo a aula normalmente. Sendo assim, não se justifica a conversa. E indo mais longe, se não vai prestar atenção no que está sendo dito, faça o favor de ser honesto consigo mesmo para depois não achar que está fazendo um favor ao professor quando precisar gastar pontos de força de vontade para simplesmente ficar calado. Saia da sala e vá pra casa. Se mora longe vai chegar mais cedo. Ainda nessa linha, ficar na sala sem prestar atenção no que o professor diz não tem valor algum, pois não haverá retenção de conteúdo.

Há ainda a fomigerada presença, a chamada. Sou a favor de que se faça chamada mesmo pois o curso até onde li, é presencial, (mas esse é assunto pra outra conversa em uma outra hora), no entanto, nessas aulas de reposição que estão sendo feitas no período da noite, o que se faz é passar uma simples lista de presença. Assinou a lista? Não está afim de assistir aula? A aula a está chata? Você está fazendo força e se castigando em ficar ali? Faça um favor a si mesmo, guarde seus pontos de força de vontade para quando forem mesmo necessários. A presença está garantida. E aí, se você for um aluno exemplar, pegue o livro da matéria e estude por conta própria quando chegar em casa. Ou se for o caso, vá para a cama e durma. Só não me venha dizer que o grande esforço feito para ficar em silêncio é uma tentativa de ajudar seu professor.

Para finalizar, o que acho que passou despercebido ao resto dos alunos que ainda estão debatendo o fato, é o que o professor não pediu para que a gente ficasse calado. Ele se sentiu incomodado com o fato do notebook estar ligado durante a aula. Além, é claro, dos celulares que tocaram e das conversas de alguns alunos, que nunca terminam. Já vi professores saindo do sério por muito menos. Volto então ao ponto que disse antes, não quer assistir aula, demonstre respeito e honestidade, saia da sala. Quanto a ficar em silêncio e de cabeça baixa, nunca vi esse professor reclamar disso. Ele possui plena consciência de que essas aulas são cansativas e por isso mesmo é que pede ajuda e colaboração dos alunos. No entanto, o que vejo nessa situação é mais uma vez o nosso individualismo falando mais alto. Cada um olha simplesmente para o próprio umbigo. Se ofende quando a atenção é chamada de forma justa. No entanto, ninguém reconhece o esforço que o cara está fazendo para ajudar a turma. Já rolou ponto de graça, vai rolar prova substitutiva pra quem, como dizemos, se fudeu em alguma das avaliações anteriores, e a galera se revolta quando o que o professor pede em troca é somente respeito e atitude de aluno? O problema sou eu que não entendi a situação direito, ou tem coisa errada aí?

Só para constar, isso aconteceu em uma turma de ensino superior, não de ensino médio.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Novo Tédio

Este não é o primeiro blog que crio, muito provavelmente não será o último. O que me move? O tédio e a aspiração juvenil (que já ficou literalmente para trás) de escrever algo. O que? As vezes um conto, outras um romance. O que me falta? Vontade e dedicação para dissecar ideias, vidas, personagens, cidades, casas, famílias. Falta-me métodos.
Por que então outro blog? Simplesmente porque preciso escrever para reaprender a escrever. Não haverá promessas de textos todos os dias, nem todas as semanas, nem mensais. Não quero mais saber de promessas. Queria novos diálogos com pessoas já deixadas para trás. Dizem que apenas os verdadeiros amigos permanecem, mas sei que já deixei verdadeiros amigos no tempo. Os amigos também se perdem ao longo da história das pessoas. Se perdem ao longo da vida. Quase tudo se perde.
Quem eu sou? Para onde vou? Com quem vou? Como vou? O que quero? Como quero? São todas questões apenas respondo parcialmente.
Deixemos as coisas assim como estão no momento.